ALERTA! Os mortos pairam em redor da minha loucura... Enchem-me as noites assim os olhos se fechem, Enchem-me os dias assim os olhos se abram! Que mão me protege? Que cansaço! Que cansaço! Muito cansaço! Raiva, Desespero, Desorientação, Cansaço... Muito cansaço! Excesso de vidas enclausuradas neste corpo repugnante, Neste ser esquartejado! Lofepramina, zopiclona, melleril... Produtos são mais que mil! Onde a luz? Onde a luz? Nem para lhes fazer companhia presto, Aos mortos! Faltam-me as forças Muito além da vontade de enrolar a corda... Nasci velha. Nasci com 80 anos, E só. A solidão abraça-me numa terna amizade eterna... Se tenho amigos?, tenho muitos amigos! E depois? Tenho sexo, muito, Rostos falantes, palavras incessantes, muitas... CALEM-SE! Então, pois! Calem-se E escutem os mortos... como eles pairam!
À sombra do chaparro, sento-me e reflicto. O Sol aquece a tarde e o corpo entorpecido contorna o tronco seco e a terra adormecida.