A sonhar Ouve-se um ruído de fundo como se o passar de um comboio que transporta um mundo de fantasia, por entre vales e montanhas mágicas, destinado ao centro da névoa. Descobre-se um lago, adivinha-se o monstro inexistente a arrepiar pêlos nos braços, a acelerar a batida do coração (sente-se o latejar no pensamento) na expectativa de um encontro! Onde já tão longe?! Quanta trilha de caminhos cantarolados, prados verdejantes, e cabras, e vacas, e malte escorregadio a soltar risadas estridentes, e ar puro a açoitar pulmões! Quanta vida vivida num alegre passar do tempo assim disposto em antecipações de espantos desejados.
À sombra do chaparro, sento-me e reflicto. O Sol aquece a tarde e o corpo entorpecido contorna o tronco seco e a terra adormecida.