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Mensagens

A mostrar mensagens de janeiro, 2018

Fragilidades

Que fragilidade! Que dor filial! Sinto no meu corpo as tuas dores e indigno-me... Sou bruta! Revoltada! Não é bom sentir a dor alheia. Olho e vejo o envelhecimento, adivinho a queixa dos ossos e da pele que se transforma. Sinto o teu definhar como se meu. Indigno-me. Malvado, tu, que o provocaste. Não há dúvidas, só certezas.  Que ignorância! Que ignorância!  Repito agora, uma e outra e outra vez. Que ignorância! Como ousei ocupar o Lugar? Querer estar acima do Universo, do incompreensível que rege as Vidas. A porta entreaberta faz por mim. A mão que toca no peito desejado, ainda que velho e usado, como se novo, cheio da memória e da vivência. Um peito desejado ainda, mão sobre a pele enrugada, estranhamente amada (?), sob o choro do perdão que se deseja sem se conseguir pronunciar. Um gesto a falar num corpo igualmente sofrido e envelhecido. Numa dor de alma. O entendimento inatendível. Mortal!

O evento

Atirado o dardo, segue uma trajectória de mundo nenhum: dá uma curva em redor de uma coluna, desce as escadas para o andar inferior, onde ziguezagueia em liberdade e sem destino, voltando a subir para o andar inicial onde consegue acertar na borda do alvo quadrado. Por pouco estragava a cal da coluna. Que sorte ou azar de pontaria. E é isto. O evento importante. Valeu a pena a viagem para comparecer, ainda assim. Por ti. Sempre por ti. Vale sempre as penas todas.

Onde a Missa do Natal?

A Maria ficou passada, disse o padre sobre a Virgem. E a assembleia pasmou. É uma casa farta: o marido farto da mulher, a mulher farta do marido e os filhos fartos dos pais, disse o padre sobre a vida dos comuns mortais. E a assembleia pasmou. Vinham ouvir o Natal, a alegria do nascimento, renovar a fé com o espírito da época. Presenteados com esta modernice mal educada, escaparam-se para os sonhos. Fritos.