Que fragilidade! Que dor filial! Sinto no meu corpo as tuas dores e indigno-me... Sou bruta! Revoltada! Não é bom sentir a dor alheia. Olho e vejo o envelhecimento, adivinho a queixa dos ossos e da pele que se transforma. Sinto o teu definhar como se meu. Indigno-me. Malvado, tu, que o provocaste. Não há dúvidas, só certezas.
Que ignorância! Que ignorância!
Repito agora, uma e outra e outra vez. Que ignorância! Como ousei ocupar o Lugar? Querer estar acima do Universo, do incompreensível que rege as Vidas.
A porta entreaberta faz por mim. A mão que toca no peito desejado, ainda que velho e usado, como se novo, cheio da memória e da vivência. Um peito desejado ainda, mão sobre a pele enrugada, estranhamente amada (?), sob o choro do perdão que se deseja sem se conseguir pronunciar. Um gesto a falar num corpo igualmente sofrido e envelhecido. Numa dor de alma.
O entendimento inatendível.
Mortal!
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