Saio de mim, Chaparro. Saio de mim e venho fazer-te um visita, prepara os ramos para me protegerem da chuva, sabes que não gosto da chuva que te permite a vida. Não é por mal, desejo-te uma longa vida, amigo. É uma coisa relacionada com sensações corporais. Desagradável. De todas as vezes que sou apanhada pela intempérie, acabo, entretanto, por perceber que não me vou dissolver na água da chuva e desaparecer por entre as frestas abertas na terra. E esse entendimento devolve uma certa força, uma união que se sente estranha e que termina com um duche quente a devolver-me à frágil vida habitável. Mas contava-te a minha saída. De mim. Para ti. Deixei a solidão sozinha em casa, não me posso demorar, faço-lhe falta, está habituada a mim. Muitos anos. Muitos anos. Mas saí. Ainda que por breves horas. Para saber de ti, sempre viçoso e imperturbável na tua alegria, conta-me coisas boas. Mostra-me o lado feliz dos dias, ensina-me da gratidão. Mestre.
À sombra do chaparro, sento-me e reflicto. O Sol aquece a tarde e o corpo entorpecido contorna o tronco seco e a terra adormecida.
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