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O rio

Passa um rio com uma forte correnteza mesmo em frente à minha janela. Fico ali, parada, horas a fio. Só a observar, a ver aquela água renovar-se constantemente, a cada segundo, naquele intervalo de leito. Em frente à minha janela. Observo como se nada mais existisse, num fascínio saltitante por sobre as pedras molhadas e escorregadias. Que força tem!, segue com a segurança de quem conhece bem o caminho, esclarecido no seu rumo, sem precisar pensar ou tomar decisões. Tudo está já decidido. É só deixar-se levar. Que frescura tem!, leve espuma que se forma e se desfaz na sua brincadeira com as margens coloridas de folhas, ramos soltos e calhaus. Salpicos apetecidos, abro a janela e estendo os braços, mãos abertas à oferta da Natureza. A brisa afaga-me, fresca como a água e perfumada a terra molhada. Há pássaros que cantam escondidos nos ramos das árvores, acompanham alegremente o marulho como se de um maestro e sua batuta. Que renovação!, cada momento é novo, sem passado e sem tempo para o futuro. O instante que não se deixa agarrar, existe livre e despreocupado. Horas a fio e sem cansaço. O meu olhar.

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