Avançar para o conteúdo principal

A construção

Um espaço próprio. Um espaço que seja eu. Na ansiedade do tempo, não há de mim em lado nenhum. Sinto-me sem tecto. Apesar do tecto. E mais devagar do que a lentidão, pedacinhos muito pequeninos de mim vão-se espalhando. Por aí. É difícil o conforto das paredes. Sinto-me em busca permanente desse lugar que seja eu. Não existe. Tem que ser construído mas é uma construção fenomenalmente penosa. Morosa. Requer músculos que me faltam. Tenho a visão. Vejo-me plena de mim, reconhecida pelo universo, ali naquele spot. E coloco mais uma pedrinha acamada em gesso que se queria betão.

Comentários